Saiba mais sobre o projeto e cada um dos módulos baixando nossa cartilha em PDF (1 mb).
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Em uma aula de literatura, o professor discorre sobre a importância dos movimentos literários, de uma determinada obra e de um autor específico. Exalta a trama, os recursos estilísticos, analisa o percurso de cada personagem. No quadro negro, lista em tópicos tudo o que vai explanando, para orientar os alunos.
O livro sobre qual o mestre fala é, sem dúvida nenhuma, interessante. Só esta obra já é suficiente para o meio literário reverenciar o autor. Para o professor, o mais importante não é demonstrar a importância dessa ou de qualquer outra obra – o que ele tenta é conquistar novos leitores. Mas no curso de sua aula, no fundo da sala, porém, há um aluno desconcentrado, mexendo no celular enquanto ouve música em um mp3 player.
O que esse aluno estará fazendo?
Estes alunos do vídeo acima são de uma escola de Birmingham, no Reino Unido. No vídeo, os alunos dizem o que esperam de suas aulas, mostrando aos professores um pouco de sua realidade. São alunos de ensino fundamental, bem novinhos, que nasceram em meio à tecnologia e que a ela vincularam todo seu ideal de rotina.
Na estória acima, o aluno que mexia no celular poderia estar desatento. Mas poderia, também, estar pesquisando na internet sobre o livro que estava sendo mencionado em aula. Rapidamente ele leria comentários em uma comunidade no Orkut dedicada especialmente ao livro e descobriria que não só o livro estava disponível para download, como também algumas resenhas e resumos bem completos. Os comentários e as informações disponíveis seriam tão ricos que chegariam a tornar a leitura do livro ainda mais interessante. Depois de ler a obra, o menino buscaria pelas suas adaptações cinematográficas disponíveis no YouTube e ainda leria as críticas feitas em blogs, podcasts e fóruns.
Para os mais fanáticos, a obra poderia inspirar uma fanfic, que são histórias que o leitor cria e publica na internet baseadas em textos e livros conhecidos. Mas o professor não sabia de nada disso. E expulsou o menino da aula.
Para que os professores possam compreender o mundo dos jovens, é importante que eles estejam atualizados em relação à tecnologia que os envolve. Elas são ferramentas que promovem diálogo e identificação com o jovem e podem, se adaptadas ao ensino, trazer oportunidades jamais imaginadas com o método de ensino clássico. Para isso não é preciso – e nem se deve! – abandonar os recursos tradicionais, tais como ditados, leituras, discussões em aula. No entanto, ficar somente nisso pode frustrar o aluno, acostumado a tanto dinamismo na informação. O processo pedagógico deve se encaixar à realidade sócio-cultural do aluno, fazendo parte da vida dele como a sua casa, seu clube, seu computador.
A tecnologia não é uma entidade à parte da vida das pessoas; ela faz parte do dia-a-dia. Não se sai de um meio para entrar em outro, o tecnológico. Só há um meio, e é neste que a tecnologia deve servir de ferramenta aos indivíduos. E presta-se, ao professor, não somente auxiliando nos recursos pedagógicos tradicionais, mas adquirindo novos valores, visto que a possibilidade de produção de conteúdo com essas ferramentas é ilimitada. Ou seja, não é o caso de o pedagogo apenas migrar do quadro negro para a projeção de datashow; é importante utilizar essas tecnologias de forma criativa. E se criatividade não falta aos jovens, tampouco deve faltar aos professores.
Houve um tempo em que a inteligência do ser humano era medida pela quantidade de informação que ele carregava na memória. Atualmente, essa forma de pensar não faz mais sentido. As hierarquias do saber foram abaladas, e a distinção entre informação e conhecimento tornou-se ainda mais patente. A informação virtualizada está à disposição de qualquer um, e com uma nova dimensão de espaço e tempo. Não está reclusa nas bibliotecas e periódicos, não está sujeita aos horários fixos de programação dos serviços de broadcasting, tais como rádio e tv. Embora, cabe frisar, esses meios tradicionais ainda não possam ser abandonados – não é essa a intenção da cibercultura – a construção de conhecimento nos meios virtuais pode alcançar novos rumos. A multidisciplinaridade, tão evocada por educadores, é um conceito presente na própria estrutura da lógica de hipertexto e hipermídia. Com um clique no meio do texto, segue-se para outro caminho; uma leitura personalizada, onde o leitor tem o poder de escolher o aprofundamento em determinado item ou conceito, na hora mesmo da leitura. Há também fusão das possibilidades oferecidas pelos processos multimídia, tais como texto, arte gráfica, som, vídeo.